Corrida atrás do vento

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 A medalha de ouro que nós brasileiros queremos conquistar nos Jogos do Rio é a aprovação e o contentamento dos milhares de estrangeiros, atletas e turistas. Que eles não sofram o que nós já estamos acostumados, de assaltos, violência, ruas congestionadas, desorganização, ou seja, de todos os obstáculos que são a nossa olimpíada diária. Muito menos, sermos palco do terrorismo. Os atletas do ódio farão de tudo para subirem no pódio do terror, por isto nosso anseio para que o Brasil vença a competição da maldade. Enfim, desejamos uma feliz e bem-sucedida organização dos Jogos Olímpicos.
Com tantos desafios pela frente, dentro e fora das arenas, penso numa modalidade que ninguém consegue vencer, a corrida atrás do vento. Foi inventada por Salomão quando as Olimpíadas da Grécia ainda nem existiam. Elas surgiram no ano de 776 a.C., uns 200 anos depois do famoso rei de Israel. Mesmo assim, o filho de Davi encheu o peito com o ouro da riqueza, fama, sabedoria, prosperidade. Ao descer do pódio, no entanto, sentiu o gostinho amargo da derrota: “Eu tenho visto tudo o que se faz neste mundo e digo: tudo é ilusão. É tudo como correr atrás do vento” (Eclesiastes 1. 14).
Não é preciso ser um Salomão para descobrir que tudo nesta vida é vaidade. Os próprios atletas com suas medalhas no peito descobrem a desilusão de Salomão: “Não ganhei nada (...) No futuro, todos seremos esquecidos, os sábios e os tolos” (Ec 2.15). Até porque, nem sempre são os corredores mais velozes que ganham as corridas (...) Tudo depende da sorte e da ocasião” (Ec 9.11).

 Por isto Paulo, no meio dos Jogos da Grécia antiga, lembra que “todo atleta que está treinando aguenta exercícios duros porque quer receber uma coroa de folhas de louro, uma coroa que, aliás, não dura muito. Mas nós queremos receber uma coroa que dura para sempre. Por isto corro direto para a linha final” (1 Coríntios 9.25,26). Até parece o refrão da música tema dos Jogos do Rio: “Fazer acontecer, lutar e conquistar, mantenho a fé pra caminhar, e assim eu vou de alma e coração”.
                                                                                                          Marcos Schmidt

Só descansa quem trabalha

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O Dia do Trabalho vai cair num Domingo. Vai ser um feriado como qualquer outro, não vai mudar a nossa rotina. Assim como não vai mudar a rotina de 10 milhões de brasileiros desempregados. Para esta gente não tem feriado, não tem Domingo, não tem descanso. Porque não tem trabalho.


 Quem não gosta de um feriado, de um final de semana? E quem não gosta da segunda-feira, da terça...? Ah, tem aqueles que não gostam e vivem às custas dos outros. São uns pobres coitados, nunca vão saber o prazer do fim de semana, do feriado, porque só descansa quem trabalha. Na verdade, a vida sem trabalho não tem graça. Não tem graça e não tem dinheiro para pagar as contas, nem condições para se divertir. “A melhor coisa que alguém pode fazer é comer e beber e se divertir com o dinheiro que ganhou”, diz em Eclesiastes. “No entanto, compreendi que mesmo essas coisas vêm de Deus. Sem Deus, como teríamos o que comer ou com que nos divertir?” (2.24,25). Fica uma sugestão: Neste primeiro de maio, nós que temos trabalho e sustento e os que já estão aposentados, vamos agradecer a Deus por esta bênção. E os que estão na fila por um emprego e com dificuldades financeiras, peçam a Deus que os ajude nesta triste situação. Será o Dia do Senhor (tradução de Domingo) e o Dia do Trabalho sendo bem usados. Pedir e agradecer a Deus dá trabalho, mas também dá descanso. 
 Aliás, isto faz uma grande diferença na vida. Salomão disse: “Não adianta trabalhar demais para ganhar o pão, levantando cedo e deitando tarde, pois é Deus que dá o sustento aos que ele ama mesmo quando estão dormindo” (Salmo 127.2). Não é um convite ao desleixo, mas à confiança no Criador. Fé que auxilia nas agruras da jornada. “Trabalhem com prazer”, diz Paulo, “como se vocês estivessem trabalhando ao Senhor e não às pessoas” (Efésios 6.7). Claro, não é fácil quando trabalho também é sinônimo de sofrimento. Tudo por conta do “suor do teu rosto comerás o teu pão” (Gênesis 3.19). Uma eterna maldição se não fossem as palavras de Jesus: “O meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho” (João 5.17). 
 Marcos Schmidt

Finalmente, uma boa notícia

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Finalmente, uma boa notícia
 
A cada minuto vive-se na expectativa de últimas notícias na política brasileira. Quando isto aqui for lido, muitas surpresas. Surpresas? Não! O Sábio é taxativo: “Não há nada de novo neste mundo” (Eclesiastes 1.9). E declara: “No lugar onde deviam estar a justiça e o direito, o que a gente encontra é a maldade” (3.16). Ou seja, tudo o que acontece na política e fora dela é remontagem de coisas velhas e caducas. Plágio, puro plágio.
 Assim, “notícia” que significa “fato novo” perde o sentido original da palavra. É claro, a novidade são os nomes, os lugares, as datas. Mas os fatos são os mesmos. E quais os fatos? Corrupção, mentiras, ódio, ganância, safadeza, jogo de poder, vaidade, ambição. Notícias de Brasília? Notícias do mundo? É tudo coisa velha, velha como o blá blá blá de gente que mente. Que vida chata! Ninguém aguenta mais estas mesmas histórias todo o santo dia.
Seria uma chatice sem fim se não tivéssemos a real compreensão dos fatos. Por isto, a conclusão do Sábio: “Tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos, porque foi para isso que fomos criados” (12.13). É isto, precisamos viver o objetivo da nossa existência. E daí surge a notícia - notícia aqui no sentido original e real da palavra. Que também é conhecida por “evangelho”: ev = boa, angelion = notícia.

Pode parecer forçado, mas a Boa Notícia (agora em letra maiúscula) ajuda entender o que acontece em Brasília. Assim como ajudou quando Pilatos perguntou a Jesus “o que é a verdade”. O Salvador já tinha dito a ele “foi para falar da verdade que eu nasci e vim ao mundo”. Vejam, Jesus nasceu para a verdade e nós nascemos para os mandamentos.
Tudo isto seria uma péssima notícia se não fosse o resumo dos mandamentos que é o amor, amor possível no amor de Jesus, que revela a verdade e possibilita a obediência aos mandamentos de Deus. Finalmente, uma notícia.
Como estão as coisas agora lá em Brasília? O Sábio tem a resposta: “O que aconteceu antes vai acontecer outra vez (...) Não há nada de novo neste mundo” (Ec 1.9).
 
Marcos Schmidt
marcos.ielb@gmail.com

Advento – a certeza de boas notícias

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Há muito tempo, boas notícias são raridade. A cada novo dia vivemos na expectativa de que agora vai mudar. A chegada de um novo ano enche as pessoas de esperanças. Mas, pela incerteza do futuro também é incerto aquilo que se espera.
        Para a igreja cristã, neste último domingo de novembro, está iniciando um novo ano. É o primeiro Domingo no Advento. O que os cristãos esperam é a boa notícia de sempre: a vinda de Cristo. Num primeiro momento é lembrada a vinda de Cristo em sua natureza humana como o menino de Belém (Natal). O anjo enviado por Deus, disse a respeito dele: “ele salvará o seu povo dos pecados deles. ” (Mateus 1.21).
       Esta deveria ser a grande expectativa do povo de Deus no Antigo Testamento: o perdão dos pecados pela morte de Jesus na cruz. No entanto, não era. Tanto é que ficaram frustrados quando viram que o Messias prometido não tinha um grande exército e nem era um grande rei. O primeiro advento de Cristo foi ignorado ou não aceito pela maioria do seu próprio povo. Assim, continuavam a esperar por notícias melhores e com o futuro incerto.
       Hoje, a igreja cristã continua anunciando a vinda de Cristo. No entanto, a ênfase é pela segunda vinda. Pela Palavra (Bíblia) e Sacramentos (Batismo e Santa Ceia) ele vem diariamente a nós. A grande expectativa está no seu aparecimento visível e glorioso no fim dos tempos. Ele virá para julgar o mundo. “Quando o Filho do Homem (Jesus) vier como Rei, com todos os anjos, ele se sentará no seu trono real. Todos os povos da terra se reunirão diante dele, e ele separará as pessoas umas das outras, assim como o pastor separa as ovelhas das cabras. ” (Mateus 25.31-32).

       Os cristãos aguardam a segunda vinda de Cristo com alegria. Enquanto ele não chega, também vivem na esperança de dias melhores. Mas, se estes não vierem, não ficarão frustrados. A boa notícia está no anúncio do perdão dos pecados, pela fé em Cristo. E esta boa nova pode ser recebida diariamente.
       E, o que mais aguardamos está por vir. Em breve ouviremos do Senhor Jesus: “Venham e recebam o Reino que o meu Pai preparou para vocês desde a criação do mundo. ” (Mateus 25.34).  Pela certeza do futuro é real e certo aquilo que esperamos. Boas notícias não faltam e nem faltarão na vida de quem aceita Jesus como Salvador dos seus pecados.
Pastor Fernando E. Graffunder

Crianças Crescidas

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  A febre voltou. Redes sociais repletas de fotos de crianças. Crianças nos anos 90, 80, 70 e por aí vai. Crianças, hoje, bem crescidas. Uma saudação especial ao dia que se aproxima, o Dia das Crianças, 12 de Outubro. À memória surgem as doces lembranças da infância. Quando o tempo passava devagar. Quando balas e guloseimas eram mais saudáveis que feijão e arroz. Quando sonhar acordado era rotina, no belo faz de conta de ser jogador de futebol, princesa, dona de casa, piloto. Pena que depois de grandes, os sonhos acordados diminuem.
Somos todos crianças crescidas. A estatura cresceu. As velas no bolo de aniversário aumentaram. Mas nosso íntimo continua sendo daquela criança que está viva em nossa memória e coração. As crianças crescidas continuam precisando de colo, de atenção, de cafuné. As crianças crescidas continuam com vontade de deixar as obrigações de lado, de subir na árvore para comer fruta, de sentar na calçada com os amigos para jogar conversa fora. As crianças crescidas continuam chorando escondidas em seus quartos. As crianças crescidas aprenderam a ser mais sociáveis. Mas lá no íntimo, continuam birrentas e manhosas. Se não for do jeito das crianças crescidas, há reclamações. A desobediência continua. Há regras, conselhos, normas. Mas crianças crescidas aprontam as suas e depois dizem: “não fui eu”.
Há alguém que ama estas crianças crescidas. E pequenas. Sempre. “Deixam que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso, pois o Reino de Deus é das pessoas que são como essas crianças” (Marcos 10.14). Crianças pequenas. Crianças crescidas. Vidas teimosas. Vidas desobedientes. Vidas carentes. Vidas dependentes. Todos cabem no colo do Salvador. Nele há perdão, aceitação, recomeço, vida nova. Para todas as idades.

Então fica a dica: nos braços de Jesus a criançada é feliz! Crianças pequenas e crescidas. Tanto faz. Todos somos dependentes de cuidado, atenção, amor e carinho. As crianças grandes e pequenas precisam de alguém que ensine a viver. Jesus oferece tudo isto e muito mais. De graça, como aquele presente que faz as crianças suspirarem. Venham, vamos juntos louvar ao Deus que ama todas as crianças. As pequenas e as crescidas. Será no Culto da Criançada, às 20h na Congregação Cristo. Traga seus filhos, netos, afilhados, coleguinhas. Traga a criança que está viva no seu coração e na sua memória.
Pastor Bruno A. K. Serves

  

 

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