O velho fusca

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Um sheik árabe ofereceu R$ 2,5 milhões pelo fusca azul 1987 do presidente uruguaio José Mujica. Um carro velho por todo este dinheiro? É evidente, o valor está no dono dele. Certamente o fusca será colocado num museu com a placa: veículo usado pelo presidente do Uruguai. O valor das coisas é muito pessoal e depende de cada situação. Um pote cheio de ouro é nada diante de um copo cheio d’água para alguém perdido no deserto. 
Cada minuto é tudo para alguém que luta contra o câncer e pouco vale os dias ociosos para alguém cheio de saúde.  Agora, se pensarmos bem, a nossa vida hoje virou uma alucinada troca de valores. Trabalhamos como loucos para dar uma vida melhor à família, e assim estamos sempre estressados, sem tempo à esposa, ao marido, aos filhos por que precisamos trabalhar e ganhar dinheiro. Um dia, quando finalmente pagamos todas as prestações da casa própria e aposentados, estaremos velhos e sem vigor, os filhos distantes e o casamento, quem sabe, falido. E daí? O quê adiantou tudo?
Nada de errado todo empenho honrado para adquirir uma casa bonita e mobiliada, carro na garagem, filhos nos melhores cursos, viagens pelo mundo, isto e aquilo. Mas é preciso cuidado nessa vida onde ativismo mais consumismo virou doença. O tempo passa voando e um dia vão restar apenas as fotografias. Precisamos dar mais valor ao velho fusca. Precisamos dar mais atenção às pessoas a quem tanto amamos e ainda estão conosco. Este tipo de descuido foi um alerta de Jesus: “Será que a vida não é mais importante do que a comida?” (Mateus 6.25). Vida aqui é corpo e alma, matéria e espírito, mundo e Reino de Deus.  Aliás, a Bíblia confirma que Deus “comprou e pagou o preço” da nossa vida (1 Coríntios 6.20). O valor negociado foi a própria vida de seu Filho. Não para depois ficarmos sendo admirados num museu, mas para vivermos para a glória de Deus. Como isto acontece? Isto depende do valor que a vida tem para mim.

Marcos Schmidt

 

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